Alopecia areata: pacientes relatam desafios do tratamento e busca por autoestima
Doença autoimune que provoca queda de cabelo atinge cerca de 2% da população mundial, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Redação TV Cultura Mineira · 28 de setembro de 2026 às 11:04
Fonte: Agência Brasil
A alopecia areata, doença autoimune que provoca queda de cabelo e atinge cerca de 2% da população mundial, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é definida como imprevisível pela dermatologista Enilde Borges Costa, da entidade. Na doença, o organismo ataca o folículo piloso, e os episódios de queda podem surgir em qualquer fase da vida, muitas vezes de forma cíclica.
A alopecia pode atingir pequenas áreas do couro cabeludo, todo o couro cabeludo (forma total) ou todos os pelos do corpo (forma universal). O diagnóstico é clínico, feito no consultório: segundo a médica, não há exame laboratorial ou de imagem que ajude a identificá-la.
A doença tem componente genético e pode ser desencadeada por infecções, outras doenças autoimunes ou estresse intenso, mas, segundo Enilde, não é considerada psicossomática. Ela alerta que atribuir a alopecia só a questões emocionais pode fazer o paciente se sentir culpado pelas crises.
O tratamento pode incluir corticoides orais ou injetáveis, pomadas e cremes. O uso prolongado do corticoide, porém, pode causar efeitos colaterais como perda de densidade óssea, o que exige acompanhamento com exames frequentes. A revisora de livros Beatriz Santos, que convive com a doença desde 2008, descobriu uma osteopenia aos 17 anos, após um ano de tratamento, e decidiu interrompê-lo. Desde 2012, ela tem a forma universal.
Pacientes e familiares contam com o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), criado por Enilde, que se reúne uma vez por mês em São Paulo e mantém um grupo de troca de informações pelo WhatsApp. Juliana Fernandes, de 45 anos, que teve o primeiro episódio aos 10 e hoje ajuda a acolher novos participantes, diz que a terapia e o grupo a ajudaram a aceitar a própria diferença.
Desde 2022, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 801/2022, que inclui a alopecia areata no Estatuto da Pessoa com Deficiência. A proposta já passou pela Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência e aguarda discussão na Comissão de Saúde.
O tema divide pacientes e familiares. Beatriz e Juliana são contrárias ao projeto, por considerarem que a doença não as impede de levar uma vida normal. Já a psicóloga Regina Ramos, mãe de um adolescente com alopecia, defende a ampliação das políticas públicas e do acesso ao tratamento, cuja medicação é cara. Em São Paulo, uma lei municipal aprovada em 2025 instituiu um protocolo de atendimento com exames e acompanhamento psicológico gratuito.
Candidato do Avante, que teve 2,89% dos votos válidos, afirmou que ninguém está autorizado a declarar apoio em seu nome e que não pretende continuar na política.