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Desenrola 3.0: entenda como a União vai comprar dívidas de até R$ 10 mil

Governo vai comprar em leilão carteiras de dívidas em atraso com desconto mínimo de 90% e repassar o abatimento ao devedor a partir de fevereiro de 2027.

Redação TV Cultura Mineira · 26 de setembro de 2026 às 14:41

Desenrola 3.0: entenda como a União vai comprar dívidas de até R$ 10 mil
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

A terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 3.0, criada por medida provisória nesta sexta-feira (25), muda a forma de negociação: a União poderá comprar em leilões carteiras de dívidas em atraso e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido. Nas fases anteriores, a negociação era feita diretamente entre credores e devedores.

Podem entrar dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, pelo valor original, com atraso entre 720 e 1.645 dias contados a partir de 25 de setembro de 2026. O Ministério da Fazenda poderá definir critérios adicionais de renda e de prioridade entre os devedores.

Nos leilões, os credores apresentam propostas de desconto, classificadas pelo maior deságio. O deságio mínimo exigido será de 90%. Assim, uma dívida elegível de R$ 10 mil comprada com o desconto mínimo passa a valer R$ 1 mil na renegociação. O consumidor poderá pagar à vista, mantendo o desconto, ou parcelar o saldo com juros, em condições que ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis, com até R$ 75 bilhões efetivamente renegociados e até 15 milhões de pessoas beneficiadas. O custo máximo previsto para a compra das carteiras é de R$ 15 bilhões, com recursos a serem incluídos nos orçamentos de 2027 e 2028.

O cronograma prevê chamamento de propostas em novembro, entrega pelos credores em dezembro, homologação em janeiro de 2027 e assinatura dos contratos em fevereiro de 2027, quando começa o repasse dos descontos e a quitação ou o parcelamento pelos consumidores.

Segundo dados do Tesouro Nacional citados pelo governo, havia em agosto R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito e 83,9 milhões de pessoas negativadas, com valor médio de R$ 7 mil por pessoa. Cerca de 55% do estoque eram dívidas não bancárias, como débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.

Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.

Com informações de Agência Brasil