Ligue 180 registra 1,5 mil denúncias de violência política contra mulheres em 2026
De janeiro a agosto, foram 1.564 denúncias; mulheres pretas e pardas são as principais vítimas, e Minas Gerais aparece em terceiro lugar, com 149 registros.
Redação TV Cultura Mineira · 2 de outubro de 2026 às 10:06
Foto: Agência Brasil
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026, ano de eleições gerais. As denúncias somam 1.581 violações, porque uma mesma denúncia pode conter mais de um tipo de violência.
Mulheres pretas e pardas são as principais vítimas: 842 denúncias, mais de 53% do total. Mulheres brancas foram alvo de 590 (37,72%), e outras 132 (8,44%) envolveram mulheres de outras raças.
São Paulo lidera os registros, com 430, seguido de Rio de Janeiro (260), Minas Gerais (149), Bahia (89), Rio Grande do Sul (62), Paraná (61) e Santa Catarina (56).
As violações incluem discriminação por gênero, raça ou etnia, ameaças, difamação, divulgação de conteúdo falso, desqualificação, interrupção frequente de fala e julgamento pela aparência. Entre os crimes registrados estão ameaças de morte e de estupro, ataques racistas e transfóbicos, vandalização de material de campanha, coação e intimidação.
Em 2025, o canal registrou 2.310 denúncias de violência política contra mulheres; de janeiro a agosto daquele ano, foram 1.649. Para a secretária nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, a redução pontual não indica queda do problema, e pode haver subnotificação.
Segundo a Justiça Eleitoral, o número de processos sobre o tema saltou de 15, em 2022, para 177 neste ano, dos quais 26 ligados diretamente à campanha de 2026.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e-mail central180@mulheres.gov.br e por videochamada em Libras, 24 horas por dia. Em emergências, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Plano de Flávio Bolsonaro (PL) fala em preservar o patrimônio e aperfeiçoar leis de incentivo; o de Lula (PT) prevê ampliar o fomento, regular o streaming e integrar cultura e educação.
Análise pedida pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, apontou porém "atuação coordenada" e linguagem polarizadora nas mensagens do canal criado por André Janones.
Visitas estavam suspensas desde julho; o candidato segue proibido de dar caráter político-eleitoral aos encontros e de divulgar declarações de Jair Bolsonaro.