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Painel El Niño aponta avanço da seca no Norte e Nordeste e alerta para cheias no Sul

A quarta edição do Painel El Niño 2026-2027 atualiza o cenário do fenômeno no Brasil e aponta probabilidade superior a 95% de que o evento alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Redação TV Cultura Mineira · 8 de outubro de 2026 às 14:27

Solo de terra rachado pela seca
Imagem ilustrativaFoto: Raymond Petrik / Pexels (Pexels License)
A quarta edição do Painel El Niño 2026-2027 atualiza o cenário do fenômeno no Brasil e aponta probabilidade superior a 95% de que o evento alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O documento reúne o trabalho de sete instituições federais, entre elas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Também participam Inmet, ANA, SGB, Sedec e Censipam. Confirmado em junho, o El Niño continua em intensificação. No fim de setembro, as temperaturas da superfície do mar ficaram mais de 2 °C acima da média em áreas de referência do Pacífico Central e Leste. Os modelos indicam que o fenômeno deve permanecer pelo menos até o início de 2027. Segundo a agência norte-americana NOAA, há possibilidade de que o episódio de 2026/27 seja o mais intenso desde 1950. Para o último trimestre do ano, a previsão indica maior probabilidade de chuva acima da média na Região Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e Centro-Oeste, a tendência é de volumes abaixo da média. As temperaturas devem permanecer acima do normal em quase todo o País. A estação chuvosa na porção central do Brasil pode começar entre o fim de outubro e meados de novembro. Os dados mais recentes também mostram diferenças importantes entre as regiões. No Norte, Roraima, Acre e Amazonas apresentaram agravamento das condições de seca em agosto. As bacias dos rios Branco e Negro estão entre as áreas que demandam maior acompanhamento. O boletim ressalta, no entanto, que a Amazônia não apresenta atualmente uma condição hidrológica excepcionalmente baixa e generalizada como a observada em 2023 e 2024. No Nordeste, 16% da região estava sob seca grave em agosto. Já no Sul, os três estados estavam livres de seca no mesmo período, mas as chuvas de setembro elevaram os níveis de rios e provocaram inundações em pontos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Somente em 2026, o Serviço Geológico do Brasil já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a região. Na agricultura, a menor disponibilidade de água no solo no centro-norte pode interferir na germinação e no estabelecimento da soja da safra 2026/27, além de afetar pastagens e a oferta de água para os rebanhos. No Sul, a maior disponibilidade hídrica favorece o milho de primeira safra, enquanto o excesso de umidade pode aumentar a ocorrência de doenças no trigo e dificultar a semeadura da soja e do arroz irrigado. O Painel El Niño 2026-2027 é atualizado mensalmente para acompanhar a evolução do fenômeno e reunir informações meteorológicas, climáticas, hidrológicas e sobre possíveis impactos no País. As instituições responsáveis reforçam a importância do acompanhamento das previsões, avisos e alertas oficiais ao longo dos próximos meses.

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação