Se todo o dinheiro dos impostos saísse de uma vez do seu salário, você teria trabalhado de 1º de janeiro até 30 de maio sem levar nada para casa. É o que mostra o estudo anual do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT): em 2026, foram 150 dias de trabalho só para pagar tributos, o equivalente a 41,1% da renda bruta média do brasileiro.
A maior fatia nem aparece no contracheque. Dos 150 dias, 84 vão para os tributos sobre o consumo, que vêm embutidos no preço da comida, da conta de luz, do combustível e de quase tudo o que se compra. O imposto de renda e as contribuições sobre o salário somam 55 dias, e os tributos sobre o patrimônio, como IPTU e IPVA, mais 11.
Como o imposto sobre o consumo é o mesmo para quem ganha pouco e para quem ganha muito, ele pesa mais no orçamento de quem tem menos. Segundo o IBPT, quem ganha até R$ 3 mil por mês deixa 23,5% da renda só nesses tributos; acima de R$ 10 mil, a fatia cai para 16,3%. No total, a faixa que mais trabalha para o fisco é a do meio: de R$ 3 mil a R$ 10 mil, são 157 dias por ano.
A conta cresceu com o tempo. Em 1986, o brasileiro precisava de 82 dias de trabalho para pagar os tributos; em 2001, já eram 130. Desde então, o número oscila entre 140 e 150 dias. O estudo considera a renda média e não calcula os efeitos da reforma tributária, que começa a mudar a cobrança sobre o consumo nos próximos anos.
A partir de primeiro de janeiro de 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) entrará em vigor em substituição ao PIS, à Cofins e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O produtor recebe perto de R$ 27 pelo quilo do café cru. No mercado, o quilo torrado e moído sai a R$ 49,50, e a xícara de cafezinho na padaria, a R$ 6,98.