Qualidade do serviço não acompanhou aumento da receita do Ipsemg, segundo usuários
Em abril de 2025, entrou em vigor o reajuste de contribuições para o Ipsemg Saúde, que oferece assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica a servidores estaduais. O aumento de arrecadação estimado até o final deste ano é de R$ 954 milhões.
Redação TV Cultura Mineira · 28 de setembro de 2026 às 17:08
Em abril de 2025, entrou em vigor o reajuste de contribuições para o Ipsemg Saúde, que oferece assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica a servidores estaduais. O aumento de arrecadação estimado até o final deste ano é de R$ 954 milhões.
Segundo a direção do Instituto de Previdência, o montante bancou importantes investimentos em pessoal e infraestrutura. Os usuários, por sua vez, contestam as melhorias, com críticas aos serviços prestados, especialmente no interior. O debate se deu em audiência da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (15/9/26).
A Lei 25.143, de 2025, atualizou os valores mínimo e máximo descontados dos contracheques. O piso de contribuição passou de R$ 34,55 para R$ 60, enquanto o teto foi reajustado de R$ 287,86 para R$ 500. Apesar da contribuição dos servidores permanecer inalterada em 3,2%, foi criada uma alíquota adicional de 1% para usuários com mais de 59 anos de idade. Também foi instituída cobrança para cônjuges e dependentes dos servidores.
A justificativa do governo para as alterações foi a necessidade de reduzir o déficit do Ipsemg Saúde. Contrária à medida, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), requerente da audiência pública, aponta que os relatos dos servidores indicam não ter ocorrido melhora nos serviços de saúde prestados pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg), os quais continuariam precários.
Os maiores gargalos apresentados pelos usuários do Ipsemg Saúde, tanto presencialmente na audiência quanto por mensagens encaminhadas à deputada Beatriz Cerqueira, são a dificuldade para agendar consultas e exames, a dependência da rede credenciada e a falta de profissionais e de convênios no interior, bem como de material essencial para a realização de procedimentos médicos.
André Luiz dos Anjos, presidente do Ipsemg, justificou que os R$ 954 milhões arrecadados a mais com o reajuste das contribuições resultaram em investimentos na rede própria (o Hospital Governador Israel Pinheiro), proporcionando mais leitos, exames e maior eficiência hospitalar.
Ele citou a nomeação de aprovados em concurso público (atualmente 376 novos servidores em exercício), o aumento de profissionais credenciados de 767, em 2024, para 1.047, em 2026, e a abertura de 177 leitos.
A deputada disse que as informações serão sistematizadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas, para que o órgão siga com a investigação e o acompanhamento da situação.
Candidato do Avante, que teve 2,89% dos votos válidos, afirmou que ninguém está autorizado a declarar apoio em seu nome e que não pretende continuar na política.