Levantamento encontra 554 deepfakes nas redes durante a campanha, mesmo com proibição
Projeto VigIA, da Lupa com a Unicamp, achou 29 deepfakes publicados por candidatos ou partidos; maioria do conteúdo com IA não foi sinalizada.
Redação TV Cultura Mineira · 3 de outubro de 2026 às 10:03
Imagem ilustrativaFoto: Tracy Le Blanc / Pexels (Pexels License)
Pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo deepfake foram publicados nas redes sociais durante a campanha do primeiro turno das eleições de 2026, segundo o projeto VigIA, da agência de checagem Lupa, que monitora o uso de inteligência artificial no pleito. Desses, 29 foram divulgados por perfis de candidatos ou partidos, o que pode gerar sanções.
Deepfakes são conteúdos produzidos ou editados com IA a partir da imagem de uma pessoa real, manipulada para parecer dizer ou fazer o que não fez. O Tribunal Superior Eleitoral proibiu essas publicações, que podem levar à cassação da candidatura ou do mandato quando caracterizadas como propaganda política e capazes de enganar o eleitor.
Os deepfakes foram o principal tipo de conteúdo criado ou editado com IA no período: 60% das 920 publicações coletadas entre 16 de agosto e 28 de setembro. Entre os mais comuns estão vídeos de jornalistas anunciando notícias inventadas e de celebridades declarando falso apoio a candidatos. A maioria (525) foi publicada por usuários comuns, muitos anônimos.
O uso de IA na campanha é permitido desde que o conteúdo seja sinalizado, o que não ocorreu na maior parte dos casos: só 371 das 920 peças, cerca de 40%, estavam rotuladas. Das 549 publicações irregulares, 75 foram feitas por candidatos ou partidos.
A análise é feita com o Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai) da Unicamp, com três ferramentas de detecção e revisão dos pesquisadores. "Quando encontramos quase um conteúdo com IA por hora e vemos que a maioria não sinaliza o uso da tecnologia, temos uma dimensão do desafio que esse cenário representa não só para o eleitor como para os órgãos fiscalizadores", disse Cristina Tardáguila, fundadora da Lupa.
Candidato do Avante, que teve 2,89% dos votos válidos, afirmou que ninguém está autorizado a declarar apoio em seu nome e que não pretende continuar na política.
há 7 h
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