Comitê da Meta aponta falhas recorrentes de moderação nas eleições brasileiras
Órgão independente cita restrições a anúncios da conta de Lula; ao TSE, a Meta negou tratamento desigual entre as candidaturas do segundo turno.
Redação TV Cultura Mineira · 21 de outubro de 2026 às 10:16
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Comitê de Supervisão da Meta, empresa dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, afirmou nesta terça-feira (20) que constatou "falhas recorrentes" na aplicação das regras de integridade eleitoral em conteúdos sobre a eleição presidencial brasileira. O órgão, que supervisiona as plataformas de forma independente, também citou preocupações com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Segundo o comitê, em períodos eleitorais as falhas de moderação da Meta costumam aparecer de duas formas: a aplicação rigorosa demais das regras, que suprime o discurso político, e a aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral. Como exemplo brasileiro, o órgão mencionou as restrições de impulsionamento aplicadas à conta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que disputa o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL).
"A aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas responsáveis pela análise de casos", diz o comitê.
Resposta ao TSE
Em manifestação enviada na noite de segunda-feira (19) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Meta negou ter favorecido o alcance de publicações de qualquer um dos candidatos. Segundo a empresa, "os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória".
A manifestação responde ao ministro Marco Aurélio Bellizze, que na semana passada determinou que a empresa informasse as medidas adotadas para garantir tratamento igual às duas candidaturas. O pedido foi feito pela coligação Brasil Pronto pra Mais, de Lula, que reclamou de favorecimento a publicações de Flávio Bolsonaro.
O comitê lembrou ainda que, nas eleições de 2022, pediu à Meta uma estrutura mensurável para avaliar suas ações de proteção da integridade eleitoral. Para o órgão, a empresa ainda não criou indicadores públicos que avaliem de forma transparente a eficácia dessas medidas.
Canais que recebem apoio técnico ou financeiro de candidaturas terão de ser registrados na Justiça Eleitoral; quem descumprir pode ter o canal desativado.
Ministro Villas Bôas Cueva deu 72 horas para a campanha detalhar as acusações contra 54 dirigentes de sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais.
Análise pedida pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, apontou porém "atuação coordenada" e linguagem polarizadora nas mensagens do canal criado por André Janones.